A imposição de tarifas de 50% por parte do presidente Donald Trump sobre todos os produtos brasileiros tem pautado as manchetes da imprensa internacional. Diversos veículos estrangeiros têm dito que as causas do agravamento nas relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos vão além da questão econômica e estão diretamente ligadas ao atual momento político brasileiro.
De acordo com análises publicadas em colunas e editoriais, a responsabilidade recai sobre o governo Lula, as decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), o avanço da censura e a escalada das perseguições políticas no país. Em um vídeo desta quinta-feira, a comentarista política Sandra Bronzina (@sandrabronzina) reportou a medida como resposta das medidas tidas como ilegais que estão ocorrendo no país.
O ambiente institucional brasileiro tem sido descrito como cada vez mais hostil à liberdade de expressão e às garantias democráticas. A suspensão da rede social X/Twitter por ordem do ministro Alexandre de Moraes, as decisões sigilosas contra empresas como Google e Meta, e os ataques públicos da primeira-dama Janja a Elon Musk são frequentemente citados como sinais de que o Brasil tem adotado práticas incompatíveis com regimes democráticos. Também repercute negativamente o fato de o presidente Lula ter deixado vaga a embaixada brasileira em Washington por meses, mesmo diante da escalada de atritos com os EUA.
Além disso, o alinhamento internacional do governo brasileiro com regimes autoritários reforçou a deterioração da imagem do país. A recepção de navios militares iranianos no Rio de Janeiro e o envio do vice-presidente Geraldo Alckmin à posse de Ebrahim Raisi, do Irã, foram duramente criticados por aliados ocidentais. Soma-se a isso a retórica adotada por Lula em diversas ocasiões, como quando comparou a vitória de Trump ao nazismo ou quando, em plena guerra contra o Hamas, equiparou Israel a Hitler — declarações consideradas inaceitáveis por diplomatas americanos e europeus.
A imprensa estrangeira também lista que, mesmo com esse conjunto de fatores, o governo Lula e sua base seguem tentando transferir a responsabilidade do conflito comercial com os EUA ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
